A Santa Casa de Belo Horizonte inicia um novo capítulo ao assumir a gestão do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), localizado na Região Centro-Sul da capital mineira. Após a transferência do último paciente para o Hospital João XXIII, realizada na quinta-feira (2/7), a unidade se prepara para a transição oficial, que foi confirmada pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Processo de Transição

A Fhemig formalizou um Termo de Permissão de Uso, permitindo que a Santa Casa administre o hospital por um período inicial de cinco anos. Essa mudança ocorre em meio a intensos debates jurídicos e sindicais que marcaram o último ano.

Com a assinatura do contrato, a Santa Casa agora tem acesso a toda a documentação legal do HMAL, incluindo relatórios sobre as condições sanitárias e os serviços prestados. Nos próximos dias, técnicos da instituição realizarão inspeções para avaliar a infraestrutura e os equipamentos que permanecem no local.

Projeto Assistencial e Gestão

Para que o Hospital Maria Amélia Lins reabra suas portas, a Santa Casa deve apresentar um projeto assistencial à Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA). Essa secretaria é responsável pela gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade e pela definição dos serviços que serão financiados com recursos públicos.

A nova administração também ficará encarregada da contratação de médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuarão na unidade. A Santa Casa se comprometeu a seguir todas as normas sanitárias e regulatórias, além de aumentar a capacidade de atendimento à população.

Transferência de Pacientes

De acordo com a assessoria de imprensa da Fhemig, a transferência dos pacientes foi realizada de forma organizada, com comunicação prévia sobre a mudança para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Desde a transferência do último paciente, o Hospital Maria Amélia Lins está interditado.

Desafios Anteriores

É importante destacar que o HMAL havia sido interditado no início de 2025, devido à sobrecarga na capacidade assistencial ao ser forçado a operar acima de sua capacidade instalada. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais havia ordenado a reabertura do hospital, impondo multa ao Estado e aos gestores caso não fossem reativados os 41 leitos e o bloco cirúrgico da unidade.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Santa Casa para mais informações sobre a transição, mas ainda não obteve resposta.