Pacientes e gestores de saúde do Sul de Minas Gerais têm enfrentado dificuldades para conseguir vagas de internação desde a implementação da nova Central de Operações para Regulação Estadual (Core/MG), que substituiu o sistema anterior, o SUS Fácil. A insatisfação é crescente entre os usuários e profissionais da área.

Críticas dos prefeitos

No dia 1º de julho, prefeitos da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (AMEG) se reuniram com o subsecretário de acesso a serviços de saúde de Minas Gerais, Renan Guimarães Rosa de Oliveira, para expor suas preocupações em relação ao novo programa. Eles relatam que a transferência e remoção de pacientes se tornaram mais complicadas, com muitos sendo direcionados para outros municípios, mesmo quando há leitos disponíveis localmente.

Casos de desespero

O comerciante Evandro Ricardo da Silva compartilhou a angústia de esperar por uma internação para sua mãe, que apresentava sinais de AVC. Ele chegou a considerar buscar atendimento particular devido à demora, mas foi orientado a permanecer na UPA de São Sebastião do Paraíso. Após horas de espera, sua mãe foi finalmente internada na Santa Casa local.

Superlotação e longas esperas

O prefeito Marcelo de Morais (PSD) também expressou sua preocupação com a superlotação das UPAs, afirmando que pacientes estão aguardando até 30 horas por regulação. Ele acionou a justiça para solicitar o retorno do sistema anterior, que, segundo ele, funcionava de forma mais eficiente.

Desafios enfrentados pelas UPAs

A coordenadora de enfermagem da UPA de Passos, Gelza Silva Macedo, relatou que pacientes estão esperando por até uma semana para conseguir uma vaga de internação. A situação tem gerado estresse tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde, que precisam administrar a situação caótica nas UPAs superlotadas.

Posicionamento da Secretaria de Saúde

O subsecretário Renan Guimarães Rosa de Oliveira defendeu que o novo sistema prioriza a condição clínica de cada paciente, garantindo que as transferências sejam feitas de maneira adequada. Ele afirmou que ainda não há evidências de atraso significativo nas internações, mas está aberto ao diálogo com os gestores locais.

Reunião para buscar soluções

Os prefeitos da AMEG entregaram um ofício ao subsecretário, solicitando melhorias no sistema, como a redução do tempo de resposta e maior transparência nos critérios de regulação. A reunião contou com a presença de representantes de várias cidades, que relataram as dificuldades enfrentadas na comunicação e na definição de fluxos assistenciais, comprometendo o atendimento. O presidente da AMEG, Daniel Ferreira da Silva, destacou a necessidade de ajustes para que o sistema funcione adequadamente.