No ano de 2026, ao celebrarmos as duas décadas da Lei Maria da Penha, especialistas estão voltando suas atenções para um aspecto alarmante da violência contra as mulheres: os ataques direcionados ao rosto. De acordo com estudos, esses atos de agressão não visam apenas causar dor, mas sim marcar e destruir a identidade das vítimas através de uma força desproporcional.

O caso de Alana Anísio Rosa

Um exemplo recente é o caso de Alana Anísio Rosa, uma estudante de 20 anos de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que sofreu uma tentativa de homicídio em sua própria casa. Mesmo sem conhecer o agressor, Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, ele invadiu sua residência e a atacou com uma faca, desferindo 30 golpes contra seu rosto, o que poderia ter sido fatal se não fosse a intervenção de sua mãe.

Subnotificação e violência contínua

A promotora de Justiça Fabíola Sucasas destaca que entre 70% e 90% das agressões físicas contra mulheres têm como alvo a face. Um estudo na Grande São Paulo revelou que 76% de 3.193 mulheres atendidas relataram sofrer violência, mas apenas 3,8% desses casos foram formalmente registrados nos prontuários médicos. Isso evidencia a subnotificação que prejudica a identificação do problema pelos órgãos de segurança.

Marcas físicas e psicológicas

As consequências dos ataques ao rosto são permanentes, deixando marcas que lembram diariamente o trauma vivido. A médica Samira Khouri, agredida pelo ex-namorado, relata que o processo de recuperação é difícil e que cada vez que se olha no espelho, é lembrada do que aconteceu. O agressor permanece preso, aguardando julgamento.

Iniciativas de apoio e mudança legislativa

Organizações civis têm criado iniciativas para oferecer suporte às vítimas, como o Instituto Um Novo Olhar em São Paulo, que proporciona tratamentos de reconstrução facial e apoio psicológico. Além disso, um projeto de lei que agrava as penas para agressores que causam lesões no rosto e outras partes do corpo feminino está em tramitação na Câmara dos Deputados.

Panorama internacional e a luta por direitos

Em outros países, o combate à violência de gênero também se intensifica. Na Colômbia, um caso de ataque com ácido gerou uma legislação específica, enquanto na Inglaterra, a modelo Katie Piper fundou uma instituição de caridade para ajudar vítimas de agressões semelhantes. Em Agra, na Índia, um comércio que emprega sobreviventes de ataques com ácido busca promover a inclusão social.

Alana Anísio, em busca de seu futuro profissional, afirma que, apesar das marcas, continua lutando por sua identidade e não permitirá que a violência a torne invisível. "Eu sei que estou viva e confortável com quem sou", conclui a estudante.