Os data centers, fundamentais para a infraestrutura tecnológica, estão no centro de um debate acirrado no Brasil sobre como expandir de maneira sustentável. O crescimento do setor é visto como uma oportunidade para impulsionar a economia nacional, mas traz à tona questões ambientais e sociais que precisam ser discutidas.

Política Nacional de Data Centers

Em maio de 2025, durante a 28ª Conferência Global do Instituto Milken, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou a Política Nacional de Data Centers. Em setembro do mesmo ano, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, conhecido como Redata, começou a tramitar, mas caducou em fevereiro deste ano sem ser votado.

Atualmente, o Brasil possui 197 data centers, liderando a América Latina. Apesar do potencial, a instalação de novas estruturas gera preocupações, como evidenciado por um caso recente no Vale do Paraíba, onde moradores questionaram a construção de um data center que exigiria um investimento de R$ 5 bilhões e teria uma capacidade inicial de 150 MW.

Controvérsias e Preocupações Ambientais

Além do Vale do Paraíba, outros estados também enfrentam resistência em relação à instalação de data centers. No Ceará, o Ministério Público Federal recomendou adequações ambientais para o Data Center Pecém, associado ao TikTok. No Rio Grande do Sul, a construção de um data center pela Scala Data Center gerou questionamentos após as enchentes que atingiram a região.

A falta de diálogo entre empresas e comunidades é uma preocupação constante. Vitor Caram, diretor da Odata, destaca a necessidade de maior comunicação para resolver os conflitos em torno desses projetos. Muitas vezes, aqueles que mais se opõem à instalação dos data centers não participam das discussões.

Inovações em Sustentabilidade

Para enfrentar os desafios ambientais, o setor está em busca de soluções mais sustentáveis. Tecnologias como refrigeração líquida e o uso de fontes de energia renováveis estão ganhando destaque. A Equinix, por exemplo, reaproveita o calor gerado por seus data centers para aquecer outras estruturas na cidade.

No Brasil, a empresa também busca utilizar a água da chuva e sistemas de água fechados, enquanto outras empresas, como a Ascenty, monitoram rigorosamente suas cadeias de suprimentos para garantir práticas sustentáveis. Contudo, a pressão por resultados vai além das certificações ambientais.

A Necessidade de Regulamentação

O clima de incerteza em torno da regulamentação dos data centers prejudica o avanço do setor. Recentemente, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul aprovou uma resolução para classificar data centers como de médio impacto. Enquanto isso, a deputada Duda Salabert propõe uma Política Nacional de Eficiência Energética e Sustentabilidade Socioambiental para esses empreendimentos.

Os executivos da indústria acreditam que a regulamentação adequada pode transformar o setor, permitindo mais inovação e pesquisa. O futuro do Brasil como referência em tecnologia e sustentabilidade depende de uma discussão aberta e efetiva entre todos os envolvidos.