Com o aumento da familiaridade dos brasileiros com chatbots de inteligência artificial como ChatGPT e Claude, uma pesquisa do Datafolha revela que o medo de perder o emprego para máquinas recuou significativamente em um ano. Em junho de 2026, 48% dos entrevistados manifestaram preocupação com a substituição por IA, uma queda em relação aos 56% registrados anteriormente.

Crescimento do uso de IA

O estudo, realizado nos dias 17 e 18 de junho, também apontou que a parcela de pessoas que já utilizaram inteligência artificial no trabalho saltou de 17% para 24%. Além disso, 25% afirmaram usar a tecnologia para pesquisas na internet, 17% para estudos e 4% para criação de vídeos e imagens.

Percepções divergentes

Enquanto a população demonstra uma visão menos apocalíptica em relação à IA, a preocupação persiste entre líderes do setor. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, advertiu sobre a necessidade de políticas que estimulem contratações a fim de evitar desemprego em massa. Isso contrasta com a percepção de muitos trabalhadores, que veem o mercado de trabalho ainda robusto.

Desafios e oportunidades

Economistas como Daniel Duque, do FGV Ibre, observam que a diminuição do medo pode estar relacionada a um desvio do catastrofismo inicial sobre a IA, enquanto a realidade mostra que a tecnologia pode criar novas oportunidades de emprego, mesmo que algumas funções sejam eliminadas. O impacto da IA no mercado de trabalho é complexo, envolvendo tanto substituições quanto a criação de novas demandas.

Exposição à IA no Brasil

Um estudo do FGV Ibre revelou que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estão expostos a algum nível de inteligência artificial generativa. A maioria desses profissionais está em ocupações que podem ser afetadas, especialmente os mais jovens e escolarizados, localizados principalmente na região Sudeste e atuando em serviços como informação e comunicação.

Preocupações com decisões automatizadas

Apesar do crescimento no uso de IA, a pesquisa do Datafolha indicou que a maioria da população é contra a automação em decisões cruciais. Para 79% dos entrevistados, a aplicação de IA em contratações e demissões é inaceitável. A desaprovação também se estende a decisões médicas e concessões de crédito, com 68% e 67% de rejeição, respectivamente. Isso demonstra uma resistência significativa em confiar em máquinas para decisões que impactam diretamente a vida das pessoas.