A vacinação contra a dengue com a vacina do Instituto Butantan foi suspensa após a confirmação de 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes. A médica infectologista Rosana Richtmann, em entrevista à GloboNews, destacou que a farmacovigilância no Brasil está funcionando adequadamente, permitindo a identificação precoce de sinais de alerta.

Motivos da Suspensão

A decisão de interromper a aplicação da vacina foi anunciada durante uma coletiva do Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha informou que, dos aproximadamente 500 mil vacinados, 3.703 notificações de eventos adversos foram registradas, o que representa 0,7% do total. Desses, 42 casos foram classificados como graves, correspondendo a 0,008% dos imunizados.

Importância da Farmacovigilância

Richtmann, que também é diretora do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, defendeu a suspensão como uma medida necessária para investigar a relação entre a vacina e os efeitos adversos. A farmacovigilância é essencial para garantir a segurança dos imunizantes após sua aprovação e monitorar reações raras.

Casos Relacionados

Entre os casos graves, dois resultaram em óbitos. Um deles foi de uma mulher de 48 anos, que desenvolveu um quadro grave e morreu 19 dias após a vacinação. O outro caso envolveu um homem de 58 anos que também faleceu após complicações relacionadas à dengue.

Próximos Passos

O Ministério da Saúde anunciou que estados e municípios suspenderão a vacinação enquanto as investigações estão em andamento. A população que recebeu a vacina nos últimos 21 dias deve estar atenta a sintomas como febre, dor abdominal e vômitos, e realizar acompanhamento médico.

Compromisso do Butantan

O Instituto Butantan reafirmou seu compromisso com a segurança da população e seguirá as orientações do Ministério da Saúde. A vacina, que teve eficácia comprovada em estudos, pode ser reavaliada e retomada assim que se confirmarem sua segurança e benefícios para a saúde pública.