Na última segunda-feira (8/6), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Em resposta a essa decisão, o infectologista Carlos Starling esclarece diversas dúvidas da população sobre a eficácia e os possíveis efeitos colaterais do imunizante.
Contexto da Suspensão
A vacina estava sendo administrada em profissionais de saúde e moradores de algumas cidades, incluindo Nova Lima (MG). A decisão foi motivada após a notificação de 42 casos de reações severas, que incluem duas mortes que estão sob investigação.
Segurança da Vacina
Starling afirma que a suspensão não indica que a vacina é perigosa. Na verdade, é um sinal do funcionamento do sistema de vigilância, que pode detectar eventos raros. A vacina foi testada em cerca de 11 mil pessoas antes de sua aprovação, e eventos adversos raros só se manifestam em grandes grupos vacinados.
Relação entre a Vacina e as Mortes
Quanto às duas mortes, o especialista ressalta que não há evidência de que a vacina tenha causado esses óbitos. A análise dos dados é necessária para diferenciar os efeitos da vacina de outros problemas de saúde que poderiam ocorrer independentemente da vacinação.
Importância da Pausa
A pausa na vacinação, segundo Starling, é uma medida de precaução para garantir a segurança da população. Com a dengue em níveis historicamente baixos, há tempo para investigar os casos sem risco de surto.
Histórico de Suspensões de Vacinas
O infectologista lembra que a suspensão de vacinas não é incomum. Em 1999, a vacina RotaShield foi retirada após casos de obstrução intestinal, levando ao desenvolvimento de vacinas mais seguras. Essa ação é vista como um exemplo positivo de saúde pública.
Perspectivas Futuras
Sobre a possibilidade de retorno da vacina, Starling afirma que, dependendo dos resultados da investigação, o Butantan espera demonstrar benefícios que possibilitem a retomada da vacinação. A transparência e a rigorosidade na investigação são fundamentais para garantir a confiança da população.
