A recente escalada de tensões no Oriente Médio provocou uma mudança significativa na dinâmica dos mercados de commodities. O UBS BB divulgou um relatório nesta segunda-feira (8) que revela uma nova estratégia de alocação, priorizando o investimento em petróleo e aço em detrimento do minério de ferro.
Cenário Atual
Antes do conflito, o mercado estava otimista, com a expectativa de valorização impulsionada pela demanda e cortes de juros. Contudo, essa perspectiva foi substituída por preocupações relacionadas à cadeia de suprimentos de energia, conforme os analistas do UBS BB.
O relatório destaca que, com a persistência de preços elevados do petróleo, a relação entre crescimento econômico e índices de inflação foi drasticamente alterada. Os analistas projetam que os preços do petróleo podem atingir US$ 90 por barril em 2026 e US$ 80 em 2027, o que impacta diretamente as expectativas de consumo global.
Nova Alocação de Capital
Com o aumento da aversão ao risco, o UBS BB recomenda uma abordagem mais defensiva, focando em empresas exportadoras de petróleo e indústrias siderúrgicas que se beneficiam de tarifas locais. As ações da Petrobras (PETR4), Prio (PRIO3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) estão entre as preferências do banco.
Embora se espere uma correção temporária nos preços dos combustíveis, a expectativa é que as cotações do petróleo se mantenham firmes devido ao esvaziamento dos estoques globais, que estão em níveis mínimos em cinco anos.
Desempenho do Aço e Minério de Ferro
O setor de aço, protegido por barreiras tarifárias, tem demonstrado resiliência, enquanto as mineradoras enfrentam um cenário desafiador. O relatório observa que ações de siderúrgicas localizadas em regiões com proteções comerciais apresentam valorização superior às das mineradoras.
Por outro lado, a recomendação para a Vale (VALE3) foi rebaixada para neutra, com a análise indicando que os preços do minério de ferro não estão sendo impulsionados por um aumento na demanda, mas sim por um aumento nos custos operacionais globais.
Perspectivas para Celulose e Cobre
No segmento de celulose, o UBS BB alerta que a indústria está perdendo atratividade para grandes fundos globais, com projeções de queda nos preços para os próximos meses. O documento sugere que o aumento da capacidade de produção na China poderá impactar ainda mais o mercado.
Por fim, o mercado de cobre apresenta sinais mistos, com preços se recuperando, mas enfrentando pressões. Apesar disso, o cenário de longo prazo permanece favorável, sustentado por cortes nas projeções de produção global.
