A cidade do Rio de Janeiro se prepara para receber um investimento significativo de US$ 550 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) para a construção do Rio AI City, um campus de data centers que será instalado no Parque Olímpico. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere durante uma coletiva de imprensa no Web Summit Rio, reconhecido como o maior evento de tecnologia da América do Sul.
Capacidade e infraestrutura
O projeto do Rio AI City tem como meta alcançar uma capacidade de geração de até 3,2 gigawatts até o ano de 2032. O prefeito Cavaliere ressaltou a importância da infraestrutura da região, destacando a disponibilidade de água, a conectividade por cabos submarinos e a habilidade de formar e atrair talentos locais como os principais pilares para o desenvolvimento do empreendimento.
Educação e capacitação profissional
Para garantir que os profissionais estejam preparados para o novo mercado de trabalho que surgirá com os data centers, a prefeitura do Rio tem investido em educação voltada para as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Atualmente, 312 escolas da cidade implementaram programas de robótica, programação e lógica desde os primeiros anos de ensino. Cavaliere enfatizou a necessidade de aprendizado em matemática, além de português, para a realização adequada de tarefas no setor.
Crescimento do Ideb e Web Summit
O prefeito também mencionou um crescimento de 12% nos anos iniciais do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), conforme o relatório de 2024. Durante a coletiva, Paddy Cosgrove, fundador do Web Summit, destacou o crescimento contínuo do evento no Brasil, que tem aumentado cerca de 20% ao ano desde sua primeira edição, atraindo cada vez mais investidores e empreendedores.
Cidade de oportunidades
Cosgrove comparou o desenvolvimento do Rio de Janeiro ao de Lisboa, afirmando que a cidade carioca está se tornando um pólo atrativo para talentos devido à sua qualidade de vida. Ele também mencionou o crescente interesse de empresas chinesas na região, reforçando a posição do Rio como uma porta de entrada para a América Latina.
Críticas ao Marco Legal da IA
Durante o evento, um painel abordou o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil, com a participação de Bruno Lewicki, da OpenAI, e do advogado Ronaldo Lemos. Lewicki elogiou a colaboração da OpenAI com o TSE no desenvolvimento do Synth ID, um protocolo para identificar imagens geradas por IA. No entanto, ambos criticaram a tramitação do PL 2338/2023, argumentando que o Brasil não deveria seguir modelos externos sem adaptar suas próprias necessidades.
