Um novo relatório da ONG britânica Earthsight, divulgado nesta segunda-feira, alerta sobre a importação de milhares de metros cúbicos de madeira oriunda de uma concessão florestal investigada na Amazônia, que acabou sendo utilizada em projetos de infraestrutura na Holanda.

Origem da Madeira Irregular

De acordo com o estudo intitulado "Cuidado onde você pisa! O deck holandês construído com madeira suspeita da Amazônia", a madeira foi fornecida pela Samise Indústria, Comércio e Exportação Ltda. A empresa, com sede no Pará, é conhecida por ter um histórico de multas e suspensões operacionais.

Investigação Detalhada

A pesquisa, realizada em parceria com o Center for Climate Crime Analysis (CCCA), utilizou uma combinação de imagens de satélite, documentos de transporte e registros de exportação para rastrear a origem da madeira, que foi extraída da Floresta Nacional de Saracá-Taquera.

Empresas Envolvidas

O relatório aponta que o angelim-vermelho, uma madeira popular para decks e estruturas externas, foi importado para a Holanda por empresas como Hoogendoorn Hout e Van den Berg Houtgroep. Essas companhias são conhecidas por comercializarem madeira tropical brasileira com grande participação no mercado europeu.

Problemas de Certificação

Rafael Pieroni, representante da Earthsight na América Latina, afirma que a madeira investigada conseguiu atravessar toda a cadeia de fornecimento, mesmo diante de suspensões e multas. O relatório também revela que a Samise deve mais de R$ 2,2 milhões em multas ao governo federal, além de ter sido alvo de diversas sanções.

Ação do Governo Brasileiro

Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima decidiu cancelar o contrato com a Samise, alegando que a empresa não atendia aos requisitos estabelecidos. A Samise ainda possui a opção de contestar essa decisão dentro de dez dias.

Limitações do Sistema de Certificação

O estudo conclui que o sistema de certificação florestal, como o Forest Stewardship Council (FSC), não tem sido eficaz na prevenção de práticas ilegais, permitindo que empresas operem mesmo sob sanções. A Earthsight defende a necessidade de regulamentações mais rigorosas na União Europeia, especialmente com a nova legislação voltada ao combate ao desmatamento que entrará em vigor em 2026.