Uma estrutura que ficou inacabada e abandonada por mais de três décadas em Belo Horizonte está prestes a ganhar uma nova função. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) vai concluir o prédio que originalmente seria destinado à produção de medicamentos por gravidade, no Bairro Gameleira, na Região Oeste da capital mineira, para transformá-lo em um polo de inovação científica.
No lugar da antiga Unidade Fabril IV, cuja construção estava paralisada desde a década de 1990, será instalada a Unidade de Biotecnologia Computacional e Prototipagem da instituição. O projeto representa um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões, segundo o governo de Minas Gerais.
Ponte entre pesquisa e produção
De acordo com o Executivo estadual, a nova unidade funcionará por meio de plataformas que conectarão a pesquisa científica à área industrial da Funed. O foco será o desenvolvimento de medicamentos biotecnológicos, que deverão chegar à população por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS).
O presidente da Funed, Felipe Attiê, explicou que parte dos projetos hoje desenvolvidos em outras áreas da fundação será transferida para o novo espaço, ao lado de iniciativas inéditas que também serão implantadas. A proposta é reunir, em um único local, projetos estratégicos de pequena escala e alto valor agregado.
"A unidade permitirá que a Funed identifique com mais rapidez oportunidades para pesquisar, desenvolver e incorporar produtos inovadores, ampliando sua capacidade de criar soluções estratégicas para a saúde pública", afirmou o presidente. A previsão é que a estrutura entre em operação no fim do segundo semestre deste ano.
Um projeto que envelheceu antes de ficar pronto
A construção da Unidade Fabril IV havia sido planejada ainda na gestão do então governador Hélio Garcia, com o objetivo de ampliar a capacidade produtiva da Unidade I da fundação. A estrutura abrigaria a fabricação de medicamentos pelo chamado método de via úmida, baseado na ação da gravidade.
Esse modelo de produção, no entanto, acabou se tornando obsoleto e deixou de ser utilizado pela indústria farmacêutica. No processo por via úmida, os ingredientes são misturados a um líquido que faz as partículas se aglutinarem, formando pequenos grânulos que depois passam por uma etapa de secagem. Já na produção por gravidade, o material avança de uma etapa para a outra simplesmente caindo de um nível para outro, aproveitando a força da própria gravidade — uma técnica que ficou para trás diante dos avanços do setor.
