Minas Gerais se destacou negativamente em 2025 ao registrar o maior número de assassinatos de pessoas trans no Brasil, conforme dados divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) em janeiro de 2026. O estado contabilizou 8 mortes, empatando com o Ceará, e se tornou o epicentro da violência contra essa população.

Um triste panorama

De acordo com o dossiê da ANTRA, que é uma referência importante na coleta de dados sobre a violência contra pessoas trans, Minas Gerais ocupa pela primeira vez a liderança nesse triste ranking. Casos de grande repercussão, como os de Alice Martins e Christina Maciel, em Belo Horizonte, chamaram a atenção para a brutalidade enfrentada pela comunidade trans.

Dados alarmantes

Além das 8 mortes registradas pela ANTRA, um estudo da Rede Trans Brasil aponta que o número de assassinatos pode ser ainda maior, com 9 casos identificados em Minas Gerais. Embora haja uma aparente redução nas estatísticas nacionais, ativistas afirmam que isso é resultado da subnotificação e não de uma melhora na segurança pública.

Perfil das vítimas

As vítimas de homicídio na comunidade trans geralmente têm características em comum: são, em sua maioria, mulheres trans e travestis negras, jovens entre 18 e 29 anos, que vivem em situação de vulnerabilidade social. Apesar de São Paulo ainda liderar o histórico de mortes no período de 2017 a 2025, os dados de 2025 indicam uma escalada preocupante da violência em Minas Gerais.

Fatores que contribuem para a violência

Especialistas e ativistas discutem os fatores que levam a esse aumento de violência. A exclusão do mercado de trabalho formal é um dos principais problemas, forçando muitas pessoas trans a buscar meios de sobrevivência em situações de risco, como a prostituição. A carência de políticas públicas eficazes que garantam acolhimento, educação e proteção à comunidade trans agrava ainda mais a situação.

Desafios da subnotificação

A subnotificação é outro elemento que esconde a gravidade do problema. Muitas vítimas não recorrem às autoridades devido ao medo de sofrer represálias, à desconfiança nas instituições de justiça ou à crença de que seus casos não serão devidamente investigados. Essa realidade impede a formulação de estratégias de segurança mais eficazes e a responsabilização dos autores dos crimes, perpetuando um ciclo de impunidade.

Os dados de 2025 evidenciam que cada número representa uma vida que enfrenta dificuldades em uma sociedade que ainda não consegue garantir segurança e dignidade. A mobilização gerada por casos de grande impacto social destaca a urgência de implementar ações concretas para proteger a população trans em Minas Gerais.