O setor de metalurgia deve ser o mais afetado caso os Estados Unidos confirmem a implementação de uma nova tarifa de 25% nas importações brasileiras, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este segmento exporta anualmente cerca de US$ 1,845 bilhão, representando 17% do total das exportações do Brasil que poderão ser impactadas.

Produtos em risco

Dentre os itens que compõem as exportações da metalurgia, o ferro-gusa não ligado é o que mais se destaca, correspondendo a 14,17% do total exportado. Outros produtos relevantes incluem cartuchos, revólveres e pistolas semiautomáticas, que juntos somam valores significativos, como US$ 145,25 milhões e US$ 62,26 milhões, respectivamente.

Impacto sobre a economia

Caso as tarifas sejam implementadas, um total de 4.187 produtos brasileiros enfrentará restrições, o que pode resultar em uma perda de US$ 14,9 bilhões em exportações. Os 50 principais produtos listados pela CNI, que incluem itens da metalurgia, totalizam um valor exportado de US$ 6,450 bilhões, representando 59,47% do risco total de taxação.

Taxação proposta

A nova taxação divide-se em duas frentes: uma tarifa de 25% e outra de 12,5%, que se baseia em alegações de trabalho forçado. A soma das tarifas pode chegar a 37,5% para os produtos listados, que atualmente estão sujeitos a uma tarifa adicional temporária de 10%, válida até 24 de julho.

Setor produtivo em ação

Representantes do setor produtivo brasileiro estão intensificando suas ações diplomáticas nos Estados Unidos para tentar minimizar os efeitos das novas barreiras comerciais. Na última semana, reuniões com autoridades norte-americanas foram realizadas em busca de um acordo que possa proteger os interesses brasileiros antes do prazo final em 15 de julho.

Outros setores afetados

Além da metalurgia, outros segmentos, como o alimentício e o de produtos químicos, também estão sob risco. O setor alimentício, por exemplo, pode perder com exportações de açúcar, sebo não comestível e carne suína congelada. Produtos de madeira e celulose também enfrentam possíveis tarifas, como molduras de madeira e compensados, que podem impactar severamente suas exportações.