No primeiro trimestre de 2026, as operadoras de planos de saúde médico-hospitalares no Brasil reportaram um lucro líquido de R$ 6 bilhões, conforme os dados divulgados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) nesta terça-feira (9). Este número representa o segundo maior lucro registrado para o período de janeiro a março desde o início da série histórica da ANS em 2018.
Comparativo com o ano anterior
O resultado deste ano ficou abaixo do lucro de R$ 6,9 bilhões obtido no mesmo período do ano passado, refletindo uma queda de 12,3%. Vale destacar que a ANS apresenta esses dados em valores nominais, sem considerar a inflação.
Fatores influentes
A diminuição no lucro é atribuída a um efeito pontual de provisionamento de recursos por uma das grandes operadoras do setor. Além disso, o resultado operacional, que é a diferença entre receitas e despesas diretamente relacionadas à operação de saúde, alcançou R$ 3,4 bilhões, o segundo maior valor da série histórica, embora ainda abaixo do R$ 4,4 bilhões registrado no primeiro trimestre do ano passado.
Sinistralidade e despesas assistenciais
A sinistralidade, que indica a proporção da receita utilizada para cobrir despesas assistenciais, chegou a 81%. Este valor representa um aumento de 1,8 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2025. Isso significa que aproximadamente 81% das mensalidades foram destinadas ao pagamento de atendimentos e tratamentos, embora este seja o segundo menor nível desde 2020, segundo a ANS.
Investimentos e resultados financeiros
No contexto de juros altos, as aplicações financeiras das operadoras de saúde somaram R$ 140,5 bilhões até o final de março de 2026, contribuindo significativamente para o lucro final. O resultado financeiro, que é a diferença entre receitas e despesas financeiras, foi de R$ 3,6 bilhões, mantendo-se estável em relação ao recorde do ano anterior.
Setor abrangente e desafios
Ao considerar os planos médico-hospitalares, odontológicos e as empresas administradoras de benefícios, o lucro líquido totalizou R$ 6,3 bilhões, marcando uma queda de 11,6% em comparação ao mesmo período de 2025. As administradoras de benefícios atuam como intermediárias entre as operadoras e os consumidores, sem operar os planos diretamente. O setor enfrenta um aumento de queixas por parte dos usuários, que vão desde cancelamentos de contratos até reajustes nas mensalidades, enquanto as operadoras se preocupam com o aumento dos custos devido à tecnologia e ao envelhecimento da população.
