Recentemente, o cenário de investimentos no Tesouro Direto trouxe surpresas para os investidores. Enquanto um grupo teve ganhos de quase 15% nos últimos 12 meses, outro enfrentou perdas superiores a 5%. Ambos os grupos investiram em títulos do governo federal, tradicionalmente considerados de baixo risco.
Desempenho do Tesouro Selic
Dados recentes mostram que os títulos do Tesouro Selic acumularam uma valorização de cerca de 15% no último ano e 6% em 2026, destacando-se como os mais rentáveis na plataforma. Em contraste, o Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2084 viu uma queda de 5,42% em 12 meses e de 8,23% neste ano, resultando em uma discrepância superior a 20 pontos percentuais entre os dois.
Expectativas e Realidade
A expectativa para 2026 era de que os títulos de longo prazo, especialmente os indexados à inflação, teriam uma recuperação significativa. Muitos investidores apostaram nessa tendência, baseando-se em um histórico favorável entre 2016 e 2019, quando alguns títulos tiveram valorização superior a 80% devido à queda acentuada da Selic.
Comportamento dos Títulos
No entanto, o mercado é volátil e não costuma repetir padrões. A decepção para muitos investidores foi dupla: não somente perderam lucros esperados, como também observaram que o investimento mais simples, o Tesouro Selic, foi o que trouxe os melhores resultados.
Impactos das Taxas de Juros
A diferença de comportamento entre os títulos está relacionada às suas estruturas e prazos. O Tesouro Selic, por exemplo, está mais atrelado à taxa básica de juros, enquanto os títulos prefixados e indexados à inflação são mais sensíveis às expectativas de juros futuros. A alta nas taxas de juros de longo prazo resultou na queda dos preços dos títulos mais longos, prejudicando quem investiu neles.
Cenário Atual e Lições Aprendidas
Hoje, os juros reais dos títulos americanos estão em torno de 2% ao ano, o que é diferente do cenário observado antes, quando estavam próximos de zero. Com a economia global se mostrando resiliente e a inflação mais persistente, os bancos centrais estão com menos margem para cortes de juros, o que pode afetar o desempenho de títulos de longo prazo.
Apesar disso, os títulos indexados ao IPCA ainda oferecem proteção contra a inflação para quem planeja mantê-los até o vencimento. A lição de 2026 é clara: nem todo investimento conservador tem o mesmo nível de segurança em diferentes períodos. O governo é o mesmo, mas as características dos títulos podem revelar riscos inesperados.
