Nos últimos dias, manifestações de sindicatos e movimentos sociais em Mato Grosso do Sul se intensificaram contra a possível nomeação de Dalton Cesar Milagres Rigueira, que obteve o primeiro lugar no concurso do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).

Dalton, que foi condenado por manter Madalena Gorgiano em situação de escravidão por quase 40 anos, teve seu caso revelado em 2020. A mulher começou a trabalhar como diarista na residência da família Milagres Rigueira aos 8 anos e somente foi resgatada em 2020.

Como resultado de sua condenação, Dalton e sua família receberam pena de 14 anos de prisão, além de multas e indenizações que somam quase R$ 1,3 milhão. Antes de sua condenação, Dalton era professor em uma universidade particular em Patos de Minas, onde acabou sendo demitido.

Reações da sociedade

Em 2025, Dalton foi aprovado para atuar como docente na área de Ciências Agrárias no campus de Coxim do IFMS. Desde então, sua nomeação, que ainda não se concretizou, vem sendo amplamente contestada por diversas entidades.

O Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro de Mato Grosso do Sul emitiu uma nota condenando a nomeação, classificando-a como inaceitável. O Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe-MS) também se manifestou, enfatizando a necessidade de manter a moralidade administrativa e os direitos humanos dentro das instituições de ensino.

O caso de Madalena Gorgiano

Madalena Gorgiano, resgatada em 2020, se tornou um símbolo na luta contra o trabalho escravo no Brasil. Com uma trajetória marcada por abusos e violação de direitos, sua vida se transformou em um alerta sobre a importância de combater essa prática desumana.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou não apenas Dalton, mas também outros membros de sua família pelo crime de trabalho escravo, violência doméstica e roubo. A situação de Madalena, que foi mantida em condições degradantes por décadas, gerou um clamor social por justiça e respeito aos direitos humanos.

Posicionamento do sindicato

O Sinasefe-MS reforçou seu compromisso com o combate ao racismo e à proteção dos direitos humanos, afirmando que a eventual nomeação de Dalton representa uma afronta aos princípios constitucionais. O sindicato orientou que a comunidade formalize representações ao IFMS e ao Ministério da Educação, buscando garantir que tais crimes não sejam normalizados dentro das instituições públicas.