Duas famílias da Região Metropolitana de Belo Horizonte estão enfrentando sérias dificuldades devido à morosidade na transferência de pacientes internados em unidades de pronto atendimento (UPAs). Apesar de decisões judiciais que determinam o encaminhamento para hospitais de maior complexidade, a realidade se mostra desafiadora.
Casos de espera em Ribeirão das Neves e Sabará
Um dos casos é o de Francisco Firmino, um homem de 47 anos que está internado há duas semanas na UPA de Justinópolis, em Ribeirão das Neves. Ele sofreu fraturas na bacia e no cóccix em um acidente e precisa de cirurgia. A Justiça já havia determinado sua internação em uma unidade adequada, mas a transferência ainda não ocorreu. Sua esposa, Rosilaine de Almeida, expressou preocupação: "Ele está emagrecendo. Quanto mais demora, maior o risco de sequelas. É muito triste".
Outro caso é o da aposentada Geralda Braga, de 77 anos, que aguarda transferência para um CTI desde 26 de maio. Ela está entubada na UPA Padre Lázaro, em Sabará, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Mesmo com uma decisão judicial que determina sua transferência imediata, a idosa permanece na UPA. O filho, Carlos Braga de Alcântara, comentou sobre a situação: "Cada dia dão uma data diferente. Minha mãe continua no mesmo estado".
Demandas elevadas por internações
A situação na Grande BH é preocupante, com a Prefeitura de Belo Horizonte informando que 949 pacientes estão à espera de leitos hospitalares. Destes, aproximadamente 61% são moradores de outros municípios da região metropolitana e do interior do estado. Essa pressão sobre o sistema de saúde tem gerado um cenário desafiador para pacientes e familiares.
Regulação de leitos e atuação das autoridades
Desde o mês de maio, a Central de Operações para Regulação Estadual (Core) é responsável pela regulação das transferências, substituindo o sistema SUSFácil e atuando de forma integrada com a Central de Internação de Belo Horizonte. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a Core realiza uma busca ativa por vagas que atendam às necessidades de cada paciente, contando com a participação de mais de 200 médicos na análise dos casos.
A Central de Internação de Belo Horizonte destacou que o tempo de espera para transferência varia conforme a gravidade do quadro clínico e a disponibilidade de leitos na rede hospitalar. Portanto, a situação continua a ser monitorada, mas as famílias ainda enfrentam desafios significativos para garantir o atendimento adequado a seus entes queridos.
