Na última terça-feira (9), o mercado financeiro brasileiro observou um aumento nas taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo, refletindo a deterioração das expectativas em relação à inflação e à política monetária. Esse movimento elevou as chances de um aumento na Selic em agosto, conforme indicam analistas.

Impacto de fatores externos

Embora as taxas de juros de longo prazo tenham apresentado certa estabilidade durante a manhã, elas se tornaram mais voláteis à tarde, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, que acusou o Irã de derrubar um helicóptero americano, prometendo retaliação.

No fechamento do dia, a taxa do DI para janeiro de 2027 registrou 14,5%, uma alta de 0,03 ponto percentual em relação ao dia anterior. Já a taxa para janeiro de 2028 subiu para 14,925%, com um aumento de 0,06 ponto.

Alterações nas projeções da Selic

Desde 29 de maio, instituições financeiras têm revisto suas projeções para a inflação e a taxa básica Selic, impulsionadas por dados positivos do PIB e outros indicadores econômicos. Este cenário é agravado pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que afeta diretamente a inflação.

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 14,50% ao ano. O movimento das taxas de curto prazo, que inicialmente mostraram acomodação, acabou se revertendo, com investidores aumentando suas apostas em uma política monetária mais restritiva.

Perspectivas do mercado

Um operador do mercado destacou que a taxa do DI para janeiro de 2027 já reflete expectativas, ainda que em menor escala, de um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, ao contrário da expectativa anterior de corte de 25 pontos-base. Atualmente, o mercado precifica cerca de 70% de probabilidade de manutenção da Selic neste mês e 30% de possibilidade de corte.

Para agosto, segundo o banco Bmg, há uma expectativa de 65% de manutenção da taxa e 35% de chance de elevação de 25 pontos-base. Durante a tarde, a taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu a máxima intradia de 14,525%, acompanhando os movimentos do mercado global.

Reflexos no mercado financeiro

Os rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos também apresentaram oscilações, com o título de dois anos caindo 3 pontos-base, enquanto o de dez anos teve uma queda de 2 pontos-base. No Brasil, as taxas de juros de curto prazo continuaram em alta, enquanto as de longo prazo recuperaram as perdas observadas anteriormente, evidenciando a influência de fatores globais sobre o cenário econômico brasileiro.