O cenário econômico brasileiro está passando por mudanças significativas, com o mercado de juros ajustando suas expectativas em relação à taxa Selic. Nos últimos pregões, especialmente a partir da sexta-feira (5), o impacto do payroll americano elevou os títulos prefixados do Tesouro Direto acima dos 14,50% ao ano, superando o nível atual da Selic.
Movimento dos Títulos Prefixados
Na segunda-feira (8), o aumento nas taxas se consolidou, com o Prefixado 2029 fechando a 14,92% e o Prefixado 2032 a 14,86%. Tradicionalmente, quando há expectativa de cortes nos juros, os prefixados tendem a render menos que a Selic, uma vez que os investidores já precificam esses cortes. Entretanto, o atual cenário indica uma expectativa de que a Selic possa permanecer elevada ou até aumentar.
Recuo das Taxas e Influências Externas
Na terça-feira (9), os prefixados apresentaram uma leve queda em comparação às máximas do dia anterior. O Prefixado 2029 recuou para 14,83%, enquanto o Prefixado 2032 caiu para 14,73%. O alívio nas taxas foi influenciado por uma mudança nas notícias do Oriente Médio, onde Israel e Irã suspenderam ataques militares, e Trump sinalizou um possível acordo de paz em breve.
Persistência da Expectativa de Alta da Selic
A queda das taxas, no entanto, não foi suficiente para reverter a expectativa de alta da Selic que se firmou desde a última sexta-feira. Os prefixados continuam acima de 14,50%, e a curva de juros mantém uma estrutura praticamente flat entre os vencimentos de 2029 e 2037, sem a inclinação esperada em um ciclo de redução da taxa de juros.
Comentários de Especialistas
Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, destacou que, embora as notícias sobre o Oriente Médio sejam positivas, o ceticismo persiste, dado que promessas anteriores de Trump não se concretizaram. Ele ressalta que, sem confirmações oficiais, o mercado permanece cauteloso.
Dados Econômicos e Projeções
O pano de fundo que suporta a alta das taxas inclui dados do payroll americano, que surpreenderam ao gerar 172 mil novas vagas, superando as expectativas. Além disso, a inflação nos EUA se aproxima de 3,8%, e o Boletim Focus já elevou a projeção da Selic para 13,5% ao final de 2026, o que reflete uma diminuição nas apostas por novos cortes.
