A empreendedora Natasha Silva, que há quatro anos iniciou sua transição de gênero, finalmente conseguiu retificar seu nome e gênero nos documentos oficiais. Durante esse período, Natasha enfrentou diversas dificuldades, incluindo episódios de transfobia e uma demissão que resultou em uma ação judicial.

Oportunidade no Mutirão

A chance de iniciar o processo de retificação surgiu com o mutirão 'Viver com Meu Nome', realizado pela Defensoria Pública do Acre em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher. 'Já venho lutando há muito tempo. Quando vi essa oportunidade, agarrei em primeira mão', declarou Natasha, que agora pode se apresentar formalmente como Natasha Silva.

Um dia de cidadania

O evento, que ocorreu no último sábado (4), ofereceu não só a retificação de documentos, mas também atendimentos jurídicos, serviços de cartórios e outras orientações necessárias. Além de Natasha, muitas pessoas travestis e não binárias participaram em busca da mudança de nome e gênero. Kiara Millano, outra participante, expressou sua alegria ao finalmente ter a oportunidade de retificar seus documentos: 'Hoje, com esse projeto, vou conseguir fazer essa troca, graças a Deus'.

Importância da mudança

A mudança de nome e gênero é considerada fundamental para a inclusão social e a dignidade das pessoas trans. A defensora pública Gabriela Virgílio, responsável pelo Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, destacou que o nome é uma das palavras mais ouvidas na vida de uma pessoa e, por isso, o processo de retificação é tão importante. 'Imagine como é difícil ser chamado por um nome que não representa sua identidade', afirmou.

Serviços oferecidos

Além da retificação dos documentos, o mutirão também contou com serviços de saúde, como vacinação e testes rápidos, além de atendimentos odontológicos e de autocuidado, como corte de cabelo e manicure. A ação teve como objetivo não apenas desburocratizar o processo de mudança de nome, mas também promover cidadania e acesso a serviços essenciais.

Avanços no Acre

Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais indicam que, em 2025, 15 pessoas no Acre conseguiram realizar a retificação de nome e gênero de masculino para feminino. Com a realização de mutirões como este, a expectativa é que mais pessoas possam acessar esse direito garantido por lei.