No Brasil, a presença feminina na engenharia ainda é muito limitada, com as mulheres representando apenas 26% dos formados na área, segundo dados do Censo da Educação Superior. Thaís Santos, estudante de engenharia civil da Escola Politécnica da USP, relata que ao ingressar no curso, na primeira semana, se deparou com uma sala cheia de homens, o que a fez questionar sua capacidade de se destacar em um ambiente que considera machista.

Desafios Durante a Formação

Thaís sentiu a necessidade de se esforçar mais para obter reconhecimento e, embora o desconforto tenha diminuído conforme conheceu professoras e mulheres líderes, a realidade da desigualdade permanece. Em 2020, a Escola Politécnica, pela primeira vez em 124 anos, tinha uma mulher na direção, Liedi Bernucci, que foi sucedida por Anna Reali, a atual diretora. Essa mudança trouxe um novo sentido de pertencimento às alunas.

Dados Alarmantes

De acordo com o Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo), em 2024, dos 87.749 formados em engenharia, apenas 22.721 eram mulheres. Na Poli, as alunas representam cerca de 20% do total, enquanto mais de 15% dos docentes são mulheres. Esses números refletem a necessidade urgente de ações para promover a diversidade e a inclusão nesse campo.

Iniciativas e Coletivos

A Poli tem implementado iniciativas para apoiar alunas e reduzir a desigualdade. Thaís, por exemplo, se envolveu em coletivos que a ajudaram a se manter no curso. Seu interesse se expandiu para áreas como consultoria e finanças, onde se juntou ao grupo Elas no Mercado Financeiro, destacando a importância do apoio mútuo entre mulheres.

Experiências de Conforto e Discriminação

Gabriele Tres, que se formou em engenharia civil pela UFPR, teve uma experiência um pouco diferente, com cerca de 40% de sua turma composta por mulheres. Contudo, ela também enfrentou desconfortos, como comentários inadequados de professores. A escolha pela engenharia foi influenciada por suas irmãs, que também atuam na área e mostraram a ela que era possível seguir essa carreira.

Desafios no Mercado de Trabalho

A realidade não muda muito no mercado de trabalho. Pollyana Ferraz, engenheira civil e de segurança do trabalho, compartilha que foi demitida de um estágio devido à decisão de um gestor que não queria mulheres nas obras, alegando que elas “desconcentravam” os trabalhadores. Essa situação a levou a adotar uma postura firme, ganhando o apelido de 'general'. Apesar dos desafios, Pollyana encontrou apoio entre seus colegas homens em situações de assédio, que defenderam seu direito ao trabalho.