A Colômbia se junta a outros países da América Latina que experimentam uma virada à ultradireita, como El Salvador e Argentina, ao eleger, neste domingo (21), Abelardo de la Espriella como seu novo presidente. Com 99,58% das urnas apuradas, Espriella conquistou 49,66% dos votos, superando seu adversário Iván Cepeda, que obteve 48,69%.

A nova liderança colombiana

A eleição de Espriella marca sua primeira experiência em um cargo público, assumindo a presidência da Colômbia, o segundo país mais populoso da América do Sul, que abriga 53 milhões de pessoas. A vitória foi alcançada por meio de uma abordagem que combina estratégias de sucesso da ultradireita, incluindo um discurso nacionalista forte e promessas de segurança rígida.

Retórica agressiva e promessas de segurança

Durante sua campanha, Espriella criticou a classe política tradicional, posicionando-se como um candidato dos excluídos. Ele prometeu um endurecimento nas políticas de segurança, uma preocupação crescente entre os colombianos após os Acordos de Paz com as Farc, celebrados há dez anos. Sua retórica incluiu ataques diretos aos adversários, que foram rotulados como criminosos e narcoterroristas.

Desafios e polêmicas pessoais

O novo presidente também conseguiu desviar a atenção de polêmicas passadas em sua carreira como advogado, onde defendeu diversas figuras controversas, incluindo paramilitares e um empresário acusado de ser laranja do governo venezuelano. Espriella baseou sua imagem em seu sucesso financeiro, contrastando-o com os fracassos de seus concorrentes.

Impacto histórico e temores futuros

A virada política ocorre após o primeiro governo de esquerda na Colômbia, liderado por Gustavo Petro, que chegou ao poder em 2022. O clima no país é de preocupação, especialmente com a possibilidade de que o governo de Espriella possa revogar instituições criadas pelos Acordos de Paz, provocando uma nova onda de violência.

Reação popular e expectativas

A participação popular nas eleições foi recorde, com quase 24 milhões de colombianos votando. No entanto, o clima de polarização gerou tensões, levando a lojas e bancos a se prepararem para possíveis protestos após a divulgação dos resultados. O ex-presidente Petro denunciou uma suposta fraude, embora sem apresentar provas, e ainda não declarou sua posição sobre a aceitação dos resultados.