A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou propostas aos pré-candidatos à Presidência, sugerindo mudanças significativas nas políticas de aposentadorias e na gestão fiscal do país. A principal recomendação é que os reajustes das aposentadorias sejam realizados apenas com base na inflação, abandonando o ganho real atualmente aplicado.
Reajuste das Aposentadorias e Salário Mínimo
Atualmente, o salário mínimo é corrigido por uma fórmula que leva em consideração a inflação e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), permitindo aumentos acima do índice inflacionário. A CNI argumenta que essa prática pressiona as contas públicas, especialmente quando aposentadorias e benefícios do INSS seguem este mesmo reajuste.
O documento que será entregue aos pré-candidatos também menciona a necessidade de desvincular os pisos constitucionais de saúde e educação, permitindo maior flexibilidade nos investimentos governamentais. A CNI acredita que essa mudança é crucial para que o orçamento público não fique tão rígido, especialmente em tempos de dívidas crescentes.
Contexto Econômico
A proposta da CNI é justificada pelo aumento da dívida pública brasileira, que atingiu 78,7% do PIB em 2025, representando um crescimento de 2,4 pontos percentuais em um ano, totalizando R$ 10 trilhões. A combinação de déficits persistentes e juros elevados torna a situação fiscal ainda mais desafiadora.
Outras Propostas da CNI
Entre as outras sugestões da CNI, está a redução do valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atualmente equivale a um salário mínimo. A entidade argumenta que essa equivalência prejudica a sustentabilidade do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e aumenta a pressão nas contas futuras.
A CNI também defende a ampliação da cobertura do Regime de Previdência Complementar (RPC) e sugere a criação de instrumentos que garantam renda vitalícia na velhice. Além disso, a revisão ou extinção do abono salarial é proposta, uma vez que, segundo a CNI, este benefício tem baixo impacto redistributivo e gera altos custos fiscais.
Reação dos Pré-Candidatos
Entre os pré-candidatos que receberão a proposta estão o senador Flávio Bolsonaro, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema. A equipe de Flávio já incluiu propostas semelhantes em seus planos, o que gera expectativa sobre a aceitação dessas medidas no cenário político atual.
