O Brasil enfrenta um desafio significativo na educação, com 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais fora da escola e sem a conclusão da educação básica, o que representa 37,3% dessa faixa etária. Apesar da gravidade deste cenário, a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que é a principal política voltada para esse público, atende apenas 1,5% da demanda necessária.
Dados alarmantes sobre a educação no Brasil
Essas informações são oriundas do estudo "Demanda Potencial por EJA e Transição para o Trabalho", realizado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva em colaboração com diversas instituições de pesquisa e organizações civis. O relatório revela que a baixa escolaridade resulta em uma perda anual estimada em R$ 66 bilhões em renda, além de destacar que a diminuição do número de brasileiros sem escolaridade básica se deve mais ao envelhecimento e mortalidade da população do que ao retorno aos estudos.
Quem são os brasileiros sem educação básica?
O levantamento apurou que entre os 63,9 milhões sem a educação básica completa, 44,7 milhões não finalizaram o ensino fundamental e 19,3 milhões não completaram o ensino médio. Além disso, 63,9% desse grupo são pessoas pretas ou pardas, e 49,2% são mulheres, indicando uma distribuição de gênero quase igual.
Desafios para a EJA e a inclusão escolar
A EJA, embora seja a principal política para a retomada dos estudos, apresenta uma cobertura muito reduzida, atendendo apenas 1,4% da demanda nos anos iniciais do ensino fundamental e 1,1% nos anos finais. O estudo também aponta que o número de municípios sem qualquer turma de EJA aumentou mais do que o dobro entre 2008 e 2024, evidenciando uma retração na oferta educacional.
Desigualdade regional e socioeconômica
A pesquisa revela que a baixa escolaridade não está uniformemente distribuída pelo Brasil, com as regiões Norte e Nordeste apresentando as maiores porcentagens de jovens e adultos sem a educação básica. A renda média das pessoas nessa situação é de R$ 1.427, representando apenas 51,4% da renda média de quem completou a educação básica, que é de R$ 2.777.
Propostas para a melhoria da educação
Em resposta à situação crítica, o relatório sugere sete medidas prioritárias, incluindo a definição de metas para a conclusão da educação básica, a busca ativa de pessoas que abandonaram os estudos e a integração de políticas de educação com trabalho e assistência social. A proposta visa garantir que a EJA se torne mais acessível e efetiva para a população que precisa.
Iniciativa da Rede EJA e Inclusão Produtiva
A Rede EJA e Inclusão Produtiva, que conta com a participação de 16 organizações da sociedade civil, tem como objetivo central ampliar o acesso à educação para jovens e adultos. Os pesquisadores acreditam que a nova fase do Plano Nacional de Educação (PNE) representa uma oportunidade vital para aumentar a escolarização da população adulta, alertando que, sem ações permanentes, o Brasil continuará a perder essa população sem garantir seu direito à educação.




