O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, manifestou fortes críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em relação ao atraso na tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6x1. Durante uma entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, Boulos afirmou que essa demora é uma afronta ao desejo da população.

Atraso injustificável

Boulos destacou que a PEC, aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, não deveria estar parada há mais de um mês. “Não há justificativa para que uma pauta que conta com o apoio de mais de 70% da população brasileira permaneça engavetada”, criticou, ressaltando que a situação reflete interesses menores em detrimento dos direitos dos trabalhadores.

Pressão do setor empresarial

O ministro também mencionou que a resistência à tramitação da PEC é influenciada por setores empresariais, que promovem um “terrorismo patronal”. Segundo ele, essas entidades alegam que o fim da escala 6x1 levaria a um aumento da inflação e prejuízos econômicos, um argumento que Boulos considera falho. “Esse discurso não se sustenta mais”, declarou.

Impactos da proposta

De acordo com o ministro, os últimos anos mostraram um aumento real do salário mínimo, crescimento econômico e uma queda na inflação, fatores que contradizem as alegações dos opositores da PEC. “Estão apenas tentando barrar uma conquista importante dos trabalhadores”, afirmou Boulos.

Eleições e estratégias políticas

Boulos também sugeriu que a estratégia de adiar a votação da PEC para após as eleições visa minimizar o custo político para os parlamentares que se opõem à proposta. Ele enfatizou a necessidade de que os deputados e senadores votem abertamente, sem se esconderem atrás de manobras políticas.

Pressão por votação

Além da PEC da escala 6x1, o ministro criticou o Senado por travar outras matérias prioritárias, como a PEC da Segurança Pública e um projeto sobre exploração de terras raras. Ele reafirmou que o Executivo continuará pressionando para que esses temas sejam analisados antes do período eleitoral, ressaltando a urgência de se colocar os interesses do país em primeiro lugar.