A Azos, uma insurtech em crescimento, está revolucionando sua abordagem em relação à inteligência artificial (IA). Em vez de seguir o modelo tradicional de 'AI First', a empresa agora adota o conceito de 'AI Only', onde a função dos colaboradores é orquestrar a execução de tarefas por meio de agentes de IA. Rafael Cló, cofundador e CEO da Azos, destacou que a transformação não se trata apenas de adotar tecnologia, mas de redefinir como as organizações operam.
Modelo Operacional Inovador
Durante entrevista, Cló enfatizou que a Azos não busca reduzir sua equipe devido à automação, mas sim utilizar a IA para explorar novas oportunidades de negócios. Nos últimos cinco anos, a empresa captou mais de US$ 72 milhões e atualmente possui 110 mil apólices ativas, totalizando mais de US$ 25 bilhões em capital segurado no Brasil. A companhia expandiu sua equipe, contratando cerca de 50 profissionais apenas neste ano.
Desafios da Transformação
O aumento da velocidade na adoção de tecnologias traz novos desafios. Cló mencionou que a companhia precisa acompanhar o ritmo acelerado de desenvolvimento nas áreas de produto, design e negócios. A dificuldade, segundo ele, está em fazer com que toda a organização se adapte a esse novo cenário de eficiência.
Investimentos e Retornos
Quando questionado sobre o retorno financeiro da IA, Cló fez uma distinção entre investimentos operacionais com retorno direto, como a automação de recrutamento, e iniciativas que podem não ter um retorno imediato. Ele exemplificou com o copiloto para corretores, que auxilia na gestão de carteiras, mesmo que seu impacto financeiro ainda seja difícil de quantificar.
Métricas e Gestão Eficiente
Cló também abordou a importância de não se deixar levar por métricas apenas voltadas ao uso de IA, como o volume de tokens. Ele defendeu que as empresas precisam focar na geração de valor para o cliente. A Azos utiliza modelos de IA de maneira pragmática, aplicando tecnologias mais avançadas apenas quando necessário.
Exemplos Práticos na Azos
Um dos projetos em destaque é o Rivaldo Churn, um agente integrado ao Slack que auxilia atendentes durante pedidos de cancelamento. A ferramenta aumentou a taxa de reversão de cancelamentos de 8% para 17% em um mês, exemplificando o potencial do modelo 'AI Only'. Cló reafirmou que a empresa busca um sistema onde humanos e agentes colaboram, e não um robô em interação direta com clientes.
Futuro do Setor de Seguros
Cló, em sua participação no Web Summit, argumentou que a próxima geração de seguradoras não será definida apenas pela tecnologia, mas pela capacidade de adaptação às mudanças de comportamento dos consumidores. O futuro do setor será híbrido, com humanos e agentes de IA evoluindo juntos, transformando o conceito de seguros em um sistema adaptável.
