O acervo histórico e artístico do Palácio das Mangabeiras, antiga residência dos governadores de Minas Gerais, se tornou um ponto de controvérsia política e administrativa. Atualmente, o imóvel é utilizado pela iniciativa privada para eventos, o que gerou questionamentos sobre a gestão do patrimônio.

Posições Divergentes

Enquanto parlamentares de oposição alegam que o patrimônio público foi desviado sem a devida fiscalização, o governo do estado defende que todas as peças foram catalogadas e estão sob proteção legal. A falta de clareza sobre o destino de centenas de itens continua a ser motivo de debate.

Recentemente, uma reportagem do g1 encontrou um biombo valioso do artista Emiliano Di Cavalcanti, datado de 1952, exposto no Palácio da Liberdade. Este achado ajuda a esclarecer o paradeiro de algumas obras, em meio à ausência de um inventário público detalhado.

Descrição do Biombo

O biombo, composto por seis placas de madeira, mede aproximadamente dois metros de altura por quatro de largura e retrata uma cena de garimpo, com um revestimento de couro no verso. A descoberta é significativa, dado que os parlamentares afirmam não ter recebido informações claras sobre a redistribuição dos bens pelo Estado.

Livros Históricos e Vistorias

Além do biombo, outros itens, como livros históricos, foram alocados na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Entre eles, uma edição comemorativa de "Os Lusíadas", de Luís de Camões, e uma obra de 1903, "I tesori d'arte dell'Italia".

A situação voltou a ser discutida após uma vistoria realizada pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa. Os parlamentares constataram que apenas alguns móveis permanecem no palácio, enquanto o restante do acervo foi redistribuído sem a devida transparência.

Ação do Governo e Respostas

Após a vistoria, representantes da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) se reuniram com deputados, mas não esclareceram o paradeiro de todos os itens. A Codemge se comprometeu a enviar a documentação completa até 16 de julho. A oposição continua a pressionar pela apresentação de um inventário público.

Oposição e Tribunal de Contas

O impasse levou a oposição a encaminhar representações ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, alegando falta de controle sobre o patrimônio. O TCE-MG está analisando a admissibilidade da representação, que pode se tornar um processo formal.

Em nota, o governo estadual reafirmou que todos os bens foram inventariados e que a redistribuição seguiu procedimentos administrativos adequados. O executivo enfatizou que o patrimônio permanece sob controle e disponível para fiscalização.